Imunização é uma das maiores intervenções da saúde pública para prevenir doenças e óbitos, principalmente em crianças. O Programa de Imunização expandiu-se por todo o mundo desde 1974 com o sucesso da erradicação da varíola. No século XX, o número de vacinas cresceu significativamente com o aparecimento cada vez mais de novas vacinas. Nos programas de vacinação de rotina a meta é alcançar 90 a 95% de cobertura vacinal e boa parte dos países conseguem. Graças à eficiência destes programas é que a varíola foi erradicada do mundo, a poliomielite erradicada das Américas, o Sarampo eliminado das Américas e grande parte das doenças imunopreveníveis tiveram uma redução considerável.
Em várias épocas surgem, com mais ou menos intensidade, movimentos anti-vacina. Alguns deles ligados a grupos religiosos ou terapêuticos, outros convencidos que determinadas vacinas são capazes de causar doenças graves como o autismo e o retardo mental, outros ligados a denunciar a política de lucro dos laboratórios ou instituições farmacêuticas produtores de vacinas e medicamentos.
Ficou demonstrado, por estudos publicados em revistas internacionais de reconhecida seriedade, os efeitos prejudiciais que estes movimentos podem trazer.
Estudo publicado na revista Lancet em 1988, mostrou que nos países onde circulou com mais intensidade o boato de complicações neurológicas e retardo mental associado à aplicação da vacina tríplice bacteriana (tétano, difteria e coqueluche com células inteiras), como Reino Unido, Suíça, Japão, Rússia, Irlanda, Itália, Alemanha Oriental e Austrália, foi observado uma incidência de coqueluche bem maior em relação aos países que mantiveram seus programas de vacinação com esta vacina (Hungria, Alemanha, Polônia e Estados Unidos). A coqueluche é uma doença infecciosa exaustiva, pois pode durar meses e apresentar complicações como pneumonia e quadros neurológicos com seqüelas, principalmente em crianças menores de 6 meses, podendo também levar a óbito.
Ocorreram movimentos passivos contra a vacina entre profissionais de saúde e grupos religiosos alegando segurança. Praticantes de medicina natural, alternativa, quiropraxia e homeopatia foram os que mais se envolveram em movimentos ativos.
No Reino Unido chegou a ser criada a Associação de Pais de Crianças Prejudicadas pela Vacina. A cobertura da vacina tríplice bacteriana caiu de 77% para 33% e como conseqüência ocorreram 3 grandes epidemias de coqueluche. Foram notificados 102.500 casos, com 36 óbitos. Isto ocorreu entre 1970 e 1980. Após estes resultados a vacina passou a ser mais bem aceita.
O Japão também suspendeu a imunização de 1975 a 1979 e este fato foi responsável por uma epidemia com 13.000 casos de coqueluche e 40 óbitos. Nesta ocasião os japoneses criaram a vacina acelular.
A mídia tem papel importante nesta controvérsia publicando matérias alarmistas. Em 1997 a vacina tríplice viral (sarampo, rubéola e caxumba) tornou-se foco de um novo debate, sendo associada à ocorrência de autismo. O Reino Unido mais uma vez teve um papel proeminente, diminuindo significativamente a aplicação da vacina. Os EUA sofreram influência da Inglaterra, baixando bem a cobertura vacinal. Grupos anti-vacina neste episódio tiveram uma influência maior, pois contavam com um importante aliado – a internet. A queda da vacinação coincidiu com um grande número de surtos de sarampo trazendo como conseqüência a possibilidade da doença novamente se tornar endêmica.
Pesquisa importante publicada em 2001 (revisão IOM) concluiu pela rejeição da hipótese do autismo estar associado à vacina tríplice viral. A partir daí a cobertura da vacina subiu consideravelmente. Apesar da conclusão de vários estudos, muitos pais ainda se recusam a aplicar a vacina tríplice viral, pois a controvérsia ainda se mantém alimentada pela mídia e por grupos de pais organizados em associações.
No final dos anos 90, alguns neurologistas franceses publicaram casos vacinados com Hepatite B e que iniciaram quadros de esclerose múltipla alguns dias após, semanas ou meses da aplicação da vacina. Este fato levou à suspensão da vacinação de adolescentes na França. Após estudos importantes chegou-se a conclusão que foi uma associação acidental e não tinha relação com a vacina.
Atualmente a vacina contra influenza A H1N1 tem sofrido a ação do lobby anti-vacina. A internet, através principalmente de blogs, tem se mostrado o principal meio de publicação de conceitos bem duvidosos que afirmam que a pandemia é uma estratégia inventada pela OMS, que esta nova influenza não tem comportamento diferente da influenza sazonal e que se tornou um negócio lucrativo para a indústria da saúde. Vários estudos mostram a gravidade do comprometimento pulmonar nesta nova pandemia, diferente do que ocorre com a gripe sazonal. Também o comprometimento maior da criança e do adulto jovem é bem diferente da influenza sazonal que ocorre mais em idosos.
A sociedade não pode se deixar levar por opiniões inconsistentes e deve reforçar a confiança em instituições de peso como a OMS, o CDC e os órgãos nacionais de controle e prevenção de doenças (Ministério da Saúde, Secretarias Estaduais e Municipais de cada país). O prejuízo que estes movimentos geram trazendo insegurança aos pais é enorme. Ocorrência de óbitos por difteria, sarampo, coqueluche, tétano em crianças que não foram vacinadas pelos motivos citados acima é uma situação absurda que poderia ter sido evitada.
É preciso que a sociedade se informe através de sites confiáveis, de sociedades médicas, quando aparecerem informações, na maioria vinda de fontes leigas, que põem em dúvida procedimentos adequados que salvam vidas.
A imunização contra doenças imunopreveníveis é essencial para alcançarmos o 4o. objetivo das “Metasde Desenvolvimento do Milênio” traçadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS), que é “reduzir em 2/3 amortalidade infantil mundial abaixo dos 5 anos de idade até 2015”.
Pela primeira vez nos registros da história da humanidade a mortalidade infantil caiu abaixo de 10 milhões mortes / ano, em parte como resultado da melhoria do acesso às vacinas e da distribuição integrada de ações de saúde básicas e essenciais, assim como da disponibilidade de água potável e de melhores condições sanitárias.
A vacinação previne em torno de 2.5 milhões de mortes de crianças por ano (de todas as faixas etárias) por difteria, tétano, coqueluche e sarampo. É uma das ações de saúde mais bem sucedidas e com melhor relação custo-benefício.
Um número recorde de crianças está sendo beneficiado pela imunização. Em 2008, estima-se que 106 milhões de crianças abaixo de 1 ano tenham sido imunizadas com três doses da vacina tríplice bacteriana (contra a difteria, o tétano e a coqueluche), doenças infecciosas associadas a grave morbidade, incapacitação e morte.
Apesar de todo o progresso,cerca de 24 milhões de crianças abaixo de 1 ano não receberam as 3 doses da vacina tríplice bacteriana (difteria, tétano e coqueluche) em 2008. Aproximadamente 3/4 destas crianças moram em apenas 10 países: Chad, China, Congo, Etiópia, Índia, Indonésia, Iraque, Nigéria, Paquistão e Uganda.
Estima-se que 1.3 milhões de crianças morram anualmente de doença pneumocócica e diarréia causada por rotavírus. Grande parte dessas perdas podem ser evitadas pela vacinação.
Um grande número de novas vacinas está hoje em processo de desenvolvimento pelas indústrias produtoras e devem chegar ao mercado até 2012. Mais de 80 projetos de vacinas estão em estágios finais de testes clínicos. Cerca de 30 destas vacinas em desenvolvimento têm como objetivo proteger contra doenças graves contra as quais ainda não existem vacinas licenciadas, como a dengue e a malária.
O “Projeto de Vacina anti-Meningocócica” está trabalhando em uma nova vacina anti- meningocócica. O meningococo A é responsável por graves epidemias nos países da África Sub-Sahariana.
Uma vacina de 1ª. geração contra malária já demonstrou ser eficaz em crianças pequenas e pode estar disponível até 2015.
A vacinação já eliminou o sarampo das Américas. As mortes globais por sarampo caíram em 74% (de 750 mil mortes em 2000 para 197 mil em 2007) graças a intensificação das campanhas de vacinação em massa.
A poliomielite está “erradicada” em 3 das 6 regiões que a Organização Mundial de Saúde divide o planeta. Atualmente é endêmica em apenas 4 países: Afeganistão, Índia, Nigéria e Paquistão (esse número era de 125 países em 1988).
Estima-se que a mortalidade anual por tétano neo-natal tenha caído para 128 mil (contra 790 mil em 1988).
A vacinação não protege as crianças apenas contra as doenças imunopreveníveis. Ela é também veículo de distribuição de outras medidas vitais para a saúde, tais como: suplementos vitamínicos contra desnutrição, mosquiteiros tratados com inseticidas para a proteção contra a malária e drogas anti-parasitárias.
Fonte: Organização Mundial da Saúde, outubro de 2009
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Diversos sistemas antígeno-anticorpo são associados com a infecção pelo vírus da Hepatite B (HBV).
O HBsAg, formalmente chamado de antígeno austrália, é um determinante antigênico encontrado na superfície do vírus e que pode pode ser identificado no soro uma a três semanas após a exposição ao HBV, persistindo por períodos variáveis. O HBsAg não é infeccioso; somente o vírus completo é infeccioso. Entretanto, quando o HBsAg está presente no sangue, o vírus completo também está e indica que a pessoa está infectada (podendo ser uma infecção aguda ou crônica) e pode transmitir o HBV.
O HBcAg é a proteína do nucleocapsídeo central do HBV. O HBcAg não é detectável no soro pelas técnicas convencionais mas pode ser detectado no tecido hepático de pessoas com infecção aguda ou crônica pelo HBV.
O HBeAg é uma proteína solúvel também contida no centro do HBV. Ë detectável no soro de pessoas com altos títulos virais e indica alta infectividade.
O anticorpo anti-HBsAg se desenvolve após a infecção aguda pelo HBV (durante a convalescência) ou após a vacinação contra a Hepatite B. A presença do anti-HBsAg indica imunidade à Hepatite B. Uma títulagem superior à 10 mIU / ml é considerada indicativa de imunidade.
O anticorpo anti-HBcAg aparece logo após a infecção pelo HBV e geralmente persiste por toda a vida, indicando infecção pelo HBV a um tempo indeterminado no passado. Este anticorpo não aparece após a imunização contra a Hepatite B.
O anti-HBcAg IgM indica infecção recente pelo HBV e é o melhor marcador sorológico da infecção aguda.
O anticorpo anti-HBeAg se torna detectável quando o HBeAg desaparece e é associado a baixa infectividade do soro.
CARACTERÍSTICAS CLÍNICAS E SOROLÓGICAS
A maioria das infecções agudas nos adultos resulta em completa recuperação, com eliminação do HBsAg do sangue e produção do anticorpo anti-HBsAg (conferindo imunidade a futuras infecções pelo HBV).
1 – 2% dos casos em adultos se apresenta como hepatite fulminante, com taxas de mortalidade de 63 – 93%. Mas apesar das consequências da hepatite B aguda poderem ser severas, a maioria das complicações graves são devidas à infecção crônica, como a hepatite crônica, a cirrose, a falência hepática e o carcinoma hepatocelular .
O risco de se desenvolver infecção crônica pelo HBV decresce com a idade. Aproximadamente 90% dos recém-nascidos que adquirem a infecção pelo HBV no nascimento se tornam portadores; das crianças infectadas entre 1–5 anos de idade, 30–50% se tornam portadoras. Já os adultos apresentam um risco menor de se tornarem portadores (em torno de 6-10%).
TESTE SOROLÓGICO DAS PESSOAS VACINADAS
"Para adultos e crianças com estado imunitário normal, não são recomendadas doses adicionais da vacina nem testes sorológicos de rotina para se avaliar o estado imunitário dos vacinados."
1. SOROLOGIA PRÉ-VACINAÇÃO:
O teste sorológico não é recomendado antes da imunização de rotina de crianças e adultos (incluindo profissionais de saúde em formação).
Deve ser considerado somente nos grupos que apresentam alto risco de infecção pelo HBV, como homosexuais masculinos, usuários de drogas endovenosas, nativos do Alaska, residentes das Ilhas do Pacífico, crianças de imigrantes de países endêmicos e familiares de portadores do HBsAg.
2. SOROLOGIA PÓS-VACINAÇÃO:
Após 3 doses da vacina contra a Hepatite B, administradas por via intra-muscular, mais de 90% dos adultos e 95% das crianças desenvolvem uma resposta imunitária adequada, ou seja, uma titulagem de anti-HBsAg superior a 10 mUI / ml.
Assim, o teste sorológico não é recomendado de rotina após a imunização de crianças, adolescentes e a maioria dos adultos.
Deve ser considerado para pessoas cujo manejo subsequente depende do conhecimento do seu estado imunitário, como: recém-nascidos de mães HBsAg +, hemodialisados, imunocomprometidos e determinados profissionais de saúde.
Quando necessária, a sorologia para detecção do anti-HBsAg deve ser feita de 1-2 meses após a finalização do esquema de vacinação, de modo a fornecer informações definitivas sobre a resposta da vacina.
Todos os recém-nascidos e mães HBsAg + devem ser testados de 3-9 meses após a terceira doses da vacina contra a Hepatite B. Se O HBsAg não for detectável e o anti-HBsAg estiver presente, estas crianças podem ser consideradas protegidas.
Em 1997 o ACIP passou a recomendar o teste sorológico de rotina (anti-HBsAg) após a vacinação para todo profissional de saúde que tenha contato com pacientes ou sangue e estão sob risco de ferimentos com instrumentos cortantes ou agulhas.
3. VACINADOS NÃO-RESPONDEDORES:
Vários fatores têm sido associados a não-responsividade à vacina contra a Hepatite B, como fatores relacionados à vacina (dose, esquema, local de administração) e fatores relacionados ao hospedeiro, como: idade (> 40 anos), sexo (masculino), peso (obesidade), ser fumante e competência imunonógica.
A revacinação dos não-respondedores a um esquema primário de vacinação administrada no deltóide produz uma resposta adequada em 15-25% após 1 dose adicional e 30-50% após 3 doses adicionais.
Dados sugerem que, para pessoas que não responderam à uma série primária administrada no glúteo, a revacinação no deltóide induz uma resposta adequada em 75% dos casos.
Conduta para não respondedores
Completar uma 2° Série de 3 doses da vacinas
Administrar a 2° Série no esquema usual: 0,1 e 6 meses
Repetir a sorologia 1-2 meses após o término da 2° Série
Atenção: Como os títuos de anti-HBsAg podem cair em pessoas que responderam com títulos baixos, pessoas inicialmente respondedoras podem ser erroneamente consideradas não-respondedoras caso testadas após o período ideal de 1-2 meses após a 3a. dose da vacina. Para pessoas que se vacinaram há mais de 6 meses e que ao fazerem uma sorologia não apresentam o anti-HBsAg detectável, pode-se considerar repetir uma dose da vacina para se avaliar o nível de anti-HBsAg 1 mês depois. Se houver um titulo protetor, pode-se considerar que a pessoa havia respondido previamente. Se não houver resposta, o restante do esquema pode ser administrado.
Apesar dos estudos sugerirem bons resultados após novas doses da vacina, pessoas que não respondem a 3 novas doses (em torno de < 5%) possivelmente não responderão e devem ser consideradas não imunes à infecção pelo HBV. Esta não resposta também pode estar ligada a fatores genéticos e HLA específicos.
Fonte: Epidemiology and Prevention of Vaccine Preventable Diseases
(The Pink Book), National immunization Program, CDC – 6a. Edição, 2001
Rede pública X rede privada: Aonde as vacinas são mais "fresquinhas"?
Esta é uma questão que representa um dos mitos presentes na rotina da medicina preventiva. Entretanto, inseridos nesta questão estão fortes preconceitos relativos ao binômio rede pública x rede privada na área da saúde, que é um assunto delicado mas presente.
Se estivéssemos num esquema de "ping pong" de perguntas e respostas sem muita reflexão diríamos de pronto que "as vacinas são mais fresquinhas" na geladeira, observadas as datas de validade dos lotes das vacinas, a sua procedência, estocagem e manutenção da cadeia de frio segundo recomendação da Organização Mundial de Saúde. Para que as vacinas não percam a sua potência e eficácia é necessário um rigoroso controle de todas as etapas que vão desde a sua produção até a sua utilização final.
Na verdade, não existe o critério de "mais fresquinho". O que deve nortear todo e qualquer serviço de vacinação é a mais absoluta seriedade e rigor nos procedimentos. Neste contexto, não existe "melhor e pior", não há espaço para barganhas e concessões. Existe sim, o que é correto e que obrigatoriamente deve ser observado.
Em 2008 ocorreu a reemergência do vírus da febre amarela nas regiões centro-oeste, sudeste e sul. Foi sentida a necessidade de acompanhar as áreas de ocorrência e dispersão do vírus. O Sistema Nacional de Vigilância e Controle da Febre Amarela passou a monitorar os casos humanos suspeitos e a ocorrência de casos em primatas não humanos durante o período que antecedeu o período sazonal de transmissão no Brasil que vai de dezembro a maio.
O monitoramento para o período sazonal visa ampliar o alerta para recomendar a vacina aos grupos de risco.
O período de intensificação da vigilância e monitoramento iniciou-se em 28 de setembro de 2008 até 29 de setembro de 2009. Neste período foram notificados 274 casos humanos suspeitos de febre amarela silvestre (FHS) com 51 casos confirmados (18,6%). Dos confirmados, 21 evoluíram para óbito (letalidade de 41,2%). A mediana de idade foi de 31 anos e o sexo masculino predominou com 37 casos (72%).
O que alertou para o risco de febre amarela no período foram epizootias de primatas (ocorrência da doença em macacos e morte dos mesmos) confirmadas por laboratório num município no noroeste do Rio Grande do Sul, fronteira com a Argentina. Outras epizootias foram surgindo no Estado com expansão progressiva para áreas onde a circulação do vírus não era registrada há décadas e portanto não era recomendada a vacina à população residente, visitante e viajante.
A recente expansão da área de ocorrência entre 2008 e 2009 no Rio Grande do Sul extrapolou as áreas que eram consideradas de risco no Estado e esta situação passou a ser caracterizada como uma Emergência de Saúde Pública de Importância Nacional (ESPIN) baseada no Regulamento Sanitário Internacional, 2005 (RSI 2005).
Ainda em 2009 (fevereiro), nova ESPIN de febre amarela foi observada no Estado de São Paulo em áreas classificadas como indenes (áreas sem ocorrência de casos da doença) e, portanto, sem recomendação de vacina para a população. Os primeiros foram casos humanos suspeitos, depois confirmados por laboratório. A partir daí foram investigadas epizootias em primatas que não tinham sido notificadas. A área de dispersão e ocorrência da Febre Amarela Silvestre ficou restrita a região sul sudeste do estado na proximidade de divisa com o Paraná.
No Estado do Paraná foram registradas epizootias suspeitas, porém, apenas no município de Ribeirão Claro, divisa com São Paulo, foi possível documentar e confirmar Febre Amarela. Não foram notificados casos humanos.
Outros três casos foram confirmados em regiões consideradas endêmicas (áreas onde a FAS costuma ocorrer esporadicamente): Minas Gerais (1 caso) e Mato Grosso (2 casos). Os locais prováveis de infecção foram áreas rurais, silvestres ou de mata.
Área afetada e área ampliada para febre amarela silvestre durante a ESPIN
O Brasil possui uma extensa área geográfica considerada de risco para FAS onde a vacinação contra a doença é adotada na rotina para toda a população residente, a partir de nove meses de idade. Nessa área recomenda-se manter elevadas as taxas de cobertura vacinal, intensificando a vigilância de epizootias de primatas como alerta de risco.
Eventualmente, sem periodicidade definida, o vírus da FA emerge em novos espaços geográficos, podendo invadir áreas onde não tem sido documentado durante anos, caracterizando assim uma ESPIN de FA. Nessas situações de emergência de saúde pública os municípios com indicação de intensificação de vacina contra febre amarela são definidos em conformidade com o Regulamento Sanitário Internacional (RSI-2005).
São estabelecidos critérios epidemiológicos que permitem classificar as áreas de acordo com a situação e que permitam priorizar as ações de resposta do serviço de saúde publica e intensificar o uso da vacina. São eles:
Área afetada - constituída por municípios com evidência da circulação do vírus da FA:
Caso humano confirmado
Epizootia de primata por FA confirmada por laboratório
Epizootia de primata por FA confirmada por vínculo epidemiológico
Isolamento do vírus da FA em vetores silvestres.
Área ampliada - municípios contíguos e/ou próximos à área afetada.
Área de recomendação da vacina após ESPIN
Devido ao aumento da área de ocorrência de FA nas regiões centro oeste, sudeste e sul do país e diante da necessidade de conter a expansão da transmissão e se antecipar ao período de transmissão sazonal, a área com recomendação de vacinação na rotina foi ampliada após os resultados das ESPIN(s) com a inclusão de 300 municípios, sendo 271 no Rio Grande do Sul, 44 em SP e 4 no Paraná.
Recomendações para contenção da ESPIN
Priorizar a imunização de pessoas a partir de 9 meses de idade, não vacinadas nos últimos 10 anos, residentes ou viajantes que se deslocam para os municípios da área afetada ou ampliada.
Não está indicada a revacinação em período inferior a 10 anos da última dose.
Todo caso humano suspeito de Febre Amarela ou morte de macacos deve ser notificado o mais rapidamente possível.
Fonte:Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde
A Ameaça das Doenças Infecciosas e A Revolução Biotecnológica:
De acordo com estimativas recentes da Organização Mundial da Saúde, as doenças infecciosas causaram 14.7 milhões de mortes em 2001, sendo responsáveis por 26% da mortalidade global. Só o HIV já infectou mais de 30.6 milhões de pessoas e matou mais de 12 milhões desde o seu início!
Vale ressaltar que algumas drogas e vacinas já disponíveis poderiam ter evitado uma parte destas mortes e que em conjunto com o acesso das populações à água e alimentos livres de contaminantes fecais, poderiam ter prevenido cerca de 2 milhões de mortes.
Entretanto, "A ameaça das Doenças Infecciosas" é atualmente a preocupação maior das autoridades em Saúde Coletiva a nível mundial por conta de variáveis ligadas em parte ao desenvolvimento e ao que chamamos de "Modernidade".
A "globalização" permite, a condição de grande proximidade entre povos e países, derrubando fronteiras e barreiras para o trânsito dos agentes infecciosos.
Sabe-se que um vírus leva não mais do que 48 horas para circular o Globo.
O tradicional conceito de quarentena das pessoas infectadas com determinado microorganismo, como estratégia de isolamento e limitação da expansão das doenças transmissíveis é atualmente impossível na prática e no contexto das infecções virais principalmente.
O exemplo atual da SARS é suficientemente educativo. A velocidade da expansão da doença está na dependência de variáveis da sua dinâmica de transmissão. A ameaça das doenças infecciosas antigas e reemergentes fortalecidas pela resistência aos antibióticos e drogas como é o caso da Tuberculose e da Malária é uma realidade: dois dos projetos prioritários da OMS (Organização Mundial da Saúde) são exatamente o "Roll Back Malaria" e "Stop TB".
Em paralelo e de forma não menos importante, as doenças transmissíveis novas, que marcaram a humanidade recentemente, como a epidemia do HIV ou o vírus Ebola (de menor intensidade), integram e contribuem para o ameaçador cenário das doenças contagiosas de nossos tempos, decorrente de condições como:
ocupação desordenada do planeta;
alterações climáticas importantes;
maior contato das populações humanas com nichos ecológicos de espécies animais hospedeiras de parasitas que não atingiam o homem, há poucas décadas atrás.
Doenças como a Febre Amarela e a Dengue, que já haviam sido controladas ou se tornado silvestres, voltaram a invadir áreas urbanas; a Encefalite Japonesa; o Ebola; a Influeza (Gripe de Hong-Kong); o HIV, são exemplos de vírus que "saltaram" suas espécies biológicas hospedeiras originais e passaram a infectar as populações humanas com temporalidade e magnitudes diferentes.
Há ainda alguns agravantes de caráter específico, como as doenças parasitárias dos países em desenvolvimento (chamadas "doenças da miséria") endêmicas e espoliantes que comprometem o estado nutricional dos indivíduos e aumentam o impacto das doenças de caráter epidêmico.
Em paralelo, duas formidáveis revoluções marcam estes nossos tempos: A epidemia de AIDS, acabou por influenciar a questão cultural, que forçou uma drástica mudança de atitude com relação às doenças infecciosas transmissíveis que eram objeto de preconceito, segregação e marginalidade como foi com a hanseníase (lepra) e a tuberculose no passado, associadas a pobreza e falta de higiene.
A AIDS certamente nivelou ricos e pobres embora atualmente sua gravidade esteja concentrada nos países africanos mais pobres, com restrito acesso às drogas caras contra o HIV e baixo nível de informação.
A segunda grande revolução dos últimos anos é a Revolução da Biotecnologia que deverá instrumentalizar de forma acelerada o desenvolvimento de ferramentas para a prevenção de doenças, que ameaçam países ricos e pobres e causam não só impacto para a saúde das populações, mas também enormes perdas econômicas. Exemplos recentes foram o surto da nova variante da Doença de Creutzfeld-Jakob, "Doença da vaca louca" (Europa, 1996) e a SARS (Ásia e Canadá) ver anexos.
Estas ferramentas se concentram em meios diagnósticos moleculares específicos para doenças infecciosas humanas e veterinárias e mais importantemente no desenvolvimento de novas vacinas eficazes e seguras para a prevenção das doenças contagiosas, privilegiando de forma definitiva a Medicina Preventiva e as ações para a preservação da saúde.
Finalmente, os avanços dos meios de comunicação devem ser interpretados como o grande saldo positivo da globalização e têm papel fundamental nas ações para a prevenção das Doenças.
A Prophylaxis® muito se orgulha de ter o seu trabalho alicerçado exatamente nestes dois eixos: a informação de qualidade e a vacinação contra as doenças imunoprevenìveis.
Forças globais estão se mobilizando de forma acelerada para enfrentar os desafios.
Empresas estão se organizando e participando ativamente para o controle das doenças transmissíveis que ameaçam ricos e pobres. As agências oficias de saúde como a Organização Mundial da Saúde estão fazendo um grande esforço para a equalização de recursos financeiros e tecnológicos entre paises do mundo desenvolvido e em desenvolvimento. Volumosos recursos financeiros estão sendo direcionados por organizações governamentais e não governamentais como a Fundação Bill e Melinda Gates, para a vacinação em massa dos países pobres e para a difusão global da informação, que é promotora de melhor qualidade de vida.
Alguns documentos anexos são referência dos textos acima e focalizam a criação dos índices atuais para medir Qualidade de Vida, Prevenção de Doenças e programas de Vacinação em massa como o GAVI, financiado pela Gates Foundation.
No Brasil, apesar de grandes esforços individuais, ainda não existe uma coalizão de forças capazes de alterar o panorama de desinformação e alto índice de sub-utilização de vacinas,que são os mais poderosos e modernos instrumentos de que a medicina dispõe, no combate às doenças antigas, novas e re-emergentes.
Vacinaço para a prevenção de meningite em pessoas com implantes cocleares
Um estudo recente realizado na América do Norte pelo Centro de Controle de Doenças (CDC) e pelo Food and Drug Administration (FDA) comprovou que crianças com implantes cocleares apresentam uma maior chance de adquirir meningite bacteriana, principalmente a causada pelo Streptococcus pneumoniae (pneumococo).
Foi ainda observado que algumas crianças candidatas à cirurgia já podem ter fatores que aumentam o risco de meningite, mesmo antes de receberem o implante.
A partir deste estudo, o CDC passou a recomendar a vacinação contra o pneumococo para todas as pessoas com implantes cocleares, de acordo com as recomendações que se aplicam às pessoas com risco aumentado.
Recomendações do CDC para pessoas a partir de 2 anos de idade com implantes cocleares:
Aquelas que completaram a imunização com a vacina anti-pneumocócica conjugada devem receber uma dose da vacina anti- pneumocócica polissacarídica
23-valente. Caso tenham acabado de receber a vacina conjugada, devem aguardar pelo menos 2 meses antes de receber a vacina polissacarídica.
Aquelas entre 24 e 59 meses de idade que nunca foram imunizadas contra o pneumococo, devem receber 2 doses da vacina anti-pneumocócica conjugada (intervalo mínimo de 2 meses entre as doses) e logo após 1 dose da vacina anti-pneumocócica polissacarídica (pelo menos 2 meses após a última dose da anti-pneumocócica conjugada).
Pessoas a partir de 5 anos de idade devem receber uma dose da vacina anti-pneumocócica polissacarídica.
Para se obter uma maior proteção durante e após a cirurgia, os candidatos a implantes cocleares devem se certificar até 2 semanas antes da cirurgia que tenham tomado a vacina anti-pneumocócica e, caso tenham idade inferior a 5 anos, que tenham tomado também a vacina anti-Haemophilus b. A vacina anti-meningocócica normalmente não é necessária, nem antes nem após a cirurgia.
A vacinação deve ser feita também por aqueles com história passada de meningite pneumocócica, já que a doença não confere uma proteção adequada contra se adquirir este tipo de meningite novamente.
Fonte: - "Use of Vaccines for the Prevention of Meningites in Persons with Cochlear Implants", Fact Sheet July 30, 2003, National Immunization Program, CDC.